FEBRE CHIKUNGUNYA, nova epidemia à vista

By on outubro 13, 2014
Por Dr. Edmir Fraga – Microbiologista e Professor CeFACS, Hospital das Clínicas – Fac. Medicina USP. Membro da Comissão de Pós Graduação em Doenças Infecciosas e Parasitárias da FM USP.

Febre do Chikungunya (CHIK) trata-se de uma doença causada por um vírus de RNA do gênero Alphavirus (CHIKV), transmitido para as pessoas por mosquitos do gênero Aedes (Aedes aegypti e Aedes albopictus), que também são vetores da Dengue.

A doença foi primeiramente descrita no Sudeste da Tanzânia e Norte de Moçambique nos países da África nas décadas de 50 e 60. Os mosquitos adquirem o vírus de um hospedeiro virêmico. Após um período de incubação médio de dez dias, o mosquito torna-se capaz de transmitir o vírus a um hospedeiro humano. Em humanos picados por um mosquito infectado, os sintomas da doença aparecem após um período de incubação médio de 2 a 7 dias (intervalo 1-12 dias).

A fase aguda da doença é mais comumente caracterizada por febre alta de início súbito (com duração média de 07 dias) e vêm acompanhada de dor de cabeça, mialgia (dor muscular), exantema (erupção na pele), conjuntivite e dor nas articulações (poliartrite).
O que pode contribuir para diferenciá-la da dengue é o predomínio de dores nas articulações sobre os outros sintomas, ao contrário do que acontece com a dengue (que provoca dor no corpo todo). Não existe uma forma hemorrágica da doença e é raro surgirem complicações graves.

Óbitos causados por Chikungunya são raros. Dados da epidemia ocorrida em 2004, nas Ilhas Reunião, indicaram taxa de letalidade de 0,1% (256 mortes em um total de 266 mil casos). Entretanto, na Índia, em 2006, houve 1,3 milhão de casos e nenhuma morte registrada.

O diagnóstico depende de uma avaliação clínica cuidadosa e do resultado de alguns exames laboratoriais através da coleta de amostra de sangue venoso no primeiro atendimento, para serem realizados testes específicos para diagnóstico como: Isolamento Viral; Detecção de vírus de RNA por RT-PCR; e Detecção de IgM e IgG.

Não existe tratamento e nenhuma vacina disponível, embora existam várias sendo estudadas. Analgésicos e antitérmicos devem ser utilizados para controle da dor e da febre, como por exemplo, o Paracetamol.

O uso de AAS (ácido acetilsalicílico) e outros anti-inflamatórios devem ser evitados até que a hipótese de dengue seja descartada e os acessos febris desapareçam. Ao persistir a dor nas articulações, podem ser introduzidos medicamentos anti-inflamatórios e fisioterapia. Manter o doente bem hidratado e em repouso é uma medida essencial para a boa recuperação.

Os indivíduos expostos ao vírus Chikungunya adquirem imunidade duradoura. Diferentemente da Dengue, que tem quatro subtipos, o Chikungunya é único. Uma vez que a pessoa é infectada e se recupera, ela se torna imune à doença. Quem já pegou Dengue não está nem menos nem mais vulnerável ao Chikungunya, apesar dos sintomas parecidos e da forma de transmissão similar, tratam-se de vírus diferentes.

A prevenção consiste em adotar medidas no próprio domicílio e arredores que ajudem a combater a proliferação do mosquito transmissor da doença. São medidas semelhantes ao combate da Dengue, como eliminar os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do mosquito transmissor da doença.

No continente Americano, a doença já chegou a 31 países, sendo notificados ao todo 651.344 casos, dos quais 9.182 confirmados em laboratório. O Caribe é a região mais afetada.

O Ministério da Saúde divulgou no último dia 1° de outubro, que 79 casos de infecção pelo CKHIV foram diagnosticados no Brasil. Do total, 41 foram transmitidos dentro do próprio país (casos autóctones). Outros 38 casos foram importados, ou seja, os pacientes foram infectados durante viagens a outros países, principalmente soldados que estavam em missão no Haiti.

Diante do exposto, o Ministério da Saúde definiu uma série de ações para as próximas semanas como a Organização de Seminário Internacional sobre Chikungunya nos dias 7 e 8 de outubro e a elaboração de campanha de mídia de mobilização para adoção de medidas preventivas contra Dengue e Chikungunya, além de promover reuniões macrorregionais de mobilização das secretarias estaduais e municipais de saúde para o combate à Dengue e Chikungunya, no período de 24 a 28 de novembro.

Não está descartada uma epidemia no próximo verão brasileiro. Temos um índice muito alto de infestação por Aedes aegypti. Com a introdução do vírus, o mesmo encontrará uma população sem imunidade e um número grande de vetores (mosquitos) para a transmissão, ou seja, uma nova epidemia à vista!

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